Entre a mulher e os anjos passa discreto um rio sacrificado aos pés dum outono qualquer.
No ergástulo da colectiva censura navega inteira a ilusão que nos torna igual aos deuses.
Quem não deseja é livre, quem sente é o silêncio das palavras que ficam por dizer.
Oco grito revela a argúcia de todas as lágrimas recolhidas no oráculo do anonymous.
Volátil firmeza na reclusão da protecção divina.
Sem mãos nem doutrina encontra-se a primeira razão de viver.
Quem me diz onde está o caminho?
Quem se atreve a fecundar a raiz da minha paz?
Entre a mulher e os anjos não existe um nome, um tempo, um lugar, um sonho.
Um fogo apagado na incandescente liturgia da boreal cor dos lírios selvagens.
Segredo, pejo, mistério, outros alimentos de todas as coisas.
Entre os olhos e as estrelas escondem-se as esquinas de todas as luas que florescem fora da poesia.
Um dedo na primavera ensina, num apagar de luz, a acautelar um tesouro vivo no transe do silêncio.
O bálsamo de um sorriso basta para definir todas as sementes em forma de asa aberta.
Entre a mulher e os anjos passa fulgurante a vida vestida de pequenos nadas.
Assim se chega ao mais profundo haurir da vertigem...
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Reza por mim
Reza por mim.
É tarde demais...
O inverno povoa já o vazio dos meus olhos
Não sei em que espelho ficou perdido o meu riso
O coração ficou minúsculo como um átomo
As mãos perderam a força
A dor já não me dói
As flores, o mar, as letras são uma miragem
O prazer navega solto no bulício da tempestade
O sonho é o advérbio do tempo perdido
O carinho é agora o esoterismo dos granitos
A bondade já nem serve de alimento aos suídeos
Falência geral do amor
Falência geral da comunhão
Falência geral do coração
A lei é o ódio
O ódio é a lei
Assassinos...
Reza por mim.
É tarde demais...
Onde estão os ninhos?
É tarde demais...
O inverno povoa já o vazio dos meus olhos
Não sei em que espelho ficou perdido o meu riso
O coração ficou minúsculo como um átomo
As mãos perderam a força
A dor já não me dói
As flores, o mar, as letras são uma miragem
O prazer navega solto no bulício da tempestade
O sonho é o advérbio do tempo perdido
O carinho é agora o esoterismo dos granitos
A bondade já nem serve de alimento aos suídeos
Falência geral do amor
Falência geral da comunhão
Falência geral do coração
A lei é o ódio
O ódio é a lei
Assassinos...
Reza por mim.
É tarde demais...
Onde estão os ninhos?
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