domingo, 2 de maio de 2010

Jasmim

Há palavras que nos trazem a noite nua de céu azul espelhado em olhares felinos.
Há palavras que nas suas curvas claras nos transportam para o halo da vida e rebentam junto aos lábios, corando o ar que se respira.
Há palavras que nos dizem que o teu corpo é um rio onde o sol se perde no intenso vermelho das rosas bravas.
Há palavras que mudam a cor da folhagem, nimbam a espuma do mar numa carícia que só o sabor da boca sabe entender.
Há palavras que acordam o fogo que nos rasga por dentro. Que de mãos em concha perfeita nos trazem a razão que dança no gume do olhar de falcão.
Há palavras que demonstram que passamos pelas coisas sem as ver e que a sua sombra nos persegue em condenação de calvário profetizado.
Há palavras que nos dizem que amanhã não é mais o mesmo dia e que o tempo começou ontem. Que seremos fruto sem sabor lavado em lágrimas de sangue.
Há palavras que nos guiam para os barcos e para as ilhas. Para as estrelas e para o jasmim. Para o secreto lugar onde falta o ar. Onde a música converte o teu rosto em terra limpa.
Há palavras que te não sei dizer.
Há palavras que te não posso dizer.
Há palavras que jamais te direi.
Senta-te, flor, aguarda comigo ventos que as mereçam.

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